
Oi, bem, provavelmente poucas, ou até nenhuma pessoa irá ler isso, só o escrevo porque gostaria de falar sobre isso pelo menos uma vez em minha vida.
Á 9 ou 10 anos atrás, quando tinha 6 ou 7 anos, via minha irmã mais velha indo toda semana para a aula da ballet e, quando meus pais me levaram para assistir a primeira apresentação dela, cara, eu cismei que era aquilo que queria fazer pelo resto da vida, dançar.
Acho que a maioria das garotas naquela idade gostariam de fazer ballet, mas eu, eu olhava aquelas garotas com a sapatilha de ponta, e mesmo sabendo que doíam eram para gente grande, eu queria ser bailarina de ponta, eu queria fazer um solo, eu sonhava observando as meninas mais velhas no palco sendo aplaudidas, sozinhas.
Muito não? É realmente muito para uma criança de 6 anos.
Em 2002 fui a minha primeira aula, era uma turma mista, não separavam por idade, tinham meninas de 6 até 12 anos. Sempre fui magra, e isso me dava uma aparencia de ‘inferior’ ás outras garotas, quero dizer 2 outras garotas. Eu não lembro o que fez elas começarem a me provocar, me machucar verbalmente, e fisicamente e por mais que eu fosse determinada, aquele medo tomou conta de mim.
Antes de dizer á minha mãe, disse á minha professora, ela era jovem, dançava divinamente, digna dos aplausos que recebia em suas apresentações solo, falei que tinham meninas falando coisas ruins sobre mim, sabe o que ela respondeu? “Se elas estão dizendo isso, provavelmente é verdade, você é incapaz”. Aquilo doeu mais do que tudo que as tais garotas tinham dito sobre mim, eu tinha apresentado o problema á única pessoa que achava que podia resolver, voltei para casa com um maior ainda: depressão. Não quis mais voltar lá, desisti do que tinha em vista mais grandioso em minha vida.
Nunca quis falar sobre isso com os meus pais ou amigos, o que eu fiz foi, hoje com 16 anos, pedir, que por favor, não digam nada da boca para fora, nunca fale para alguém que é incapaz, você pode ser o refúgio desta pessoa, e magoá-la, ou pode deixar marcas que jamais poderão ser apagadas da memória, e que marcas, marcas que doem, e nunca vão parar de doer.
Quero muito agradecer, a você que tirou menos de 5 minutos da sua vida para ler isso, muito obrigada.




















